Sou mais
doceira e cozinheira
do que escritora, sendo a
culinária
a mais nobre de todas as
Artes:
objetiva, concreta, jamais
abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.
(trecho do poema: Cora
Coralina, Quem É Você?)
Muito ouvir falar sobre Cora Coralina, uma
mulher que escondia seus poemas dentro de caixinhas de doces, por receio do
marido, onde presenteava amigos. Metade doceira e metade poeta, sempre fazia de
suas palavras doces sabores.
“Para Aninha
Doces e poemas
Poemas que são doces
Doces de poemas
De Cora doceira
De Cora da ponte
De Cora da fonte...
Da vida
Canto o poema
Poema de encanto
Poema que aflora
Da doce Cora
Alma com açúcar
Mãos com poesia
Céu vermelho
Rio vermelho
Vermelhos frutos
Caju e amora
São doces os divinos doces
Feitos por Cora
Canto a juventude
De Cora doceira
De Cora doceira
De Cora da ponte
De Cora da fonte”
Cora Coralina
Famosa por seu doce de abóbora(no qual colocava uma
colher de cal virgem :O), feito em tacho de cobre e fogão a lenha.
“Como da sua mão só
brotava arte, moldava verdadeiras obras-primas, doces poemas comestíveis. Fazia
doces glacerizados – e não cristalizados, como gostavam de exaltar – passados
numa calda bem grossa e colocados para secar ao sol num tipo de jirau. “... A
calda grossa formava o glacê, liso, brilhante...”, escreve no livro seu neto
Flávio de Almeida Salles Júnior.”
Você vai precisar de:
2
kg de abóbora
1
colher (sopa) de bicarbonato de sódio
Paus
de canela e/ou cravos-da-índia a gosto
1
kg de açúcar
Mão na massa:
1º-Descasque a abóbora, tire as sementes e corte em cubos. Deixe descansar na água com o bicarbonato de sódio por 2 a 3 horas.
2º-Lave os cubos em água corrente, escorra e
seque bem. Fure os pedaços com um garfo e reserve.
3º-Faça
no fogo uma calda fina de açúcar com água (fervida por aproximadamente 10
minutos), cubra a abóbora e deixe ferver em fogo brando até amaciar, com a
canela e/ou o cravo-da-índia. Deixe apurar na calda até o dia seguinte.
*Se
quiser doces glaceados, retire os cubos da calda e escorra numa peneira. Volte
a calda ao fogo para apurar bem. Passe os pedaços de abóbora pela calda e ponha
em um tabuleiro para secar. Cora os secava ao sol.
Nota
de Cora:
Não
se deve mexer o doce para não quebrar os pedaços da abóbora. Se precisar virar
no tacho, que seja cuidadosamente, pedaço a pedaço, com um garfo.
P.S.: Eu passei cada pedacinho em açúcar cristal.
“Aninha embalava seus
doces em caixinhas de papelão. Eram três camadas de doces, forradas e
intercaladas por papel celofane cortado do tamanho exato da caixinha. “Uma de
cada variedade que tinha no momento”, conta Vicência. Mamão vermelho, cidra,
abóbora. Em seguida, a caixa era embrulhada em papel bonito. “E finalmente
amarrada com um barbante ornado com um delicado fio metálico enrolado em
espiral”, conta o neto Flávio. Não adiantava o freguês querer só de um tipo:
era convencido a levar os três doces com o argumento de que não se
arrependeria, porque todos eram excelentes.”
Curiosidades:
*Cora deixou de herança,
além dos seus poemas, um tacho de cobre para cada filho e neto.
*Já viúva vendeu doces
para juntar dinheiro e comprar um casa. Hoje essa casa é um museu
*Cora começou a escrever
aos 14 anos, mas só teve um livro publicado aos 75 anos.
Beijos da Dora